Precificação 7 min de leitura Atualizado em jun/2026

Como precificar móveis planejados sem perder dinheiro

A maioria das fábricas de móveis não tem um problema de vendas — tem um problema de preço. Vende-se bastante, o galpão vive cheio, mas no fim do mês sobra pouco. Quase sempre a causa é a mesma: o orçamento foi feito no achismo, sem conhecer o custo real do pedido. Neste guia você vai ver, passo a passo, como formar um preço que cobre tudo e ainda deixa lucro.

1. Preço não é "custo + um pouquinho"

O erro mais comum é olhar para o alumínio e os componentes, somar um valor "de cabeça" e jogar uma margem em cima. Esse método ignora metade dos custos — e é exatamente essa metade invisível que come o seu lucro. Precificar bem é, antes de tudo, enxergar o custo completo de cada projeto.

2. Mapeie o custo real do pedido

Antes de falar em margem, você precisa do número que quase ninguém calcula direito: quanto aquele móvel realmente custa para sair da sua fábrica. Esse custo tem quatro blocos:

Materiais diretos

  • Perfis e tubos de alumínio: considere a sobra de corte e as pontas, não só o comprimento útil. Uma barra usada pela metade custa a barra inteira se o resto vira retalho.
  • Componentes e acessórios: ponteiras, sapatas, parafusos, rebites, cantoneiras e fixadores. É aqui que muito custo se perde por falta de contagem.
  • Acabamentos e tampos: pintura eletrostática ou anodização, vidro ou tampo, tela/ripado, solda e consumíveis.

Mão de obra

Calcule o custo da hora produtiva da sua equipe (salário + encargos ÷ horas efetivamente trabalhadas no mês) e multiplique pelas horas estimadas de corte, montagem, acabamento e instalação. Mão de obra de planejados é cara — tratá-la como "de graça" é o caminho mais rápido para o prejuízo.

Serviços de terceiros

Pintura eletrostática, anodização, vidro temperado, frete, montador terceirizado. Cada serviço contratado fora precisa estar vinculado ao pedido — senão entra como "despesa do mês" e some da conta daquele projeto.

Despesas que rateiam sobre o pedido

Aluguel, energia, máquinas, software, administrativo. Some suas despesas fixas mensais e divida pelo faturamento médio para achar o percentual de despesa fixa que cada venda precisa cobrir.

Regra de ouro: se um custo existe para entregar aquele pedido, ele entra no custo daquele pedido. Sobra de perfil, hora de montagem e frete do terceiro não são "detalhes" — são a diferença entre lucro e prejuízo.

3. Da margem ao preço: a fórmula

Com o custo na mão, o preço de venda não sai de "custo × 2,5" por tradição. Ele sai de uma conta que garante que todos os percentuais sejam cobertos. A forma mais segura é o markup divisor:

Preço de venda = Custo ÷ (1 − soma dos percentuais sobre a venda)

Os percentuais sobre a venda costumam ser:

  • Impostos sobre o faturamento (ex.: Simples Nacional)
  • Comissão do vendedor ou representante
  • Despesas fixas rateadas (o percentual que você achou no passo anterior)
  • Margem de lucro líquida desejada

4. Exemplo prático

Imagine um conjunto de mesa e quatro cadeiras de alumínio com o seguinte custo apurado:

  • Materiais (perfis e tubos de alumínio, tampo de vidro, acessórios): R$ 3.500
  • Mão de obra (corte, solda, montagem): R$ 1.500
  • Terceiros (pintura eletrostática): R$ 700
  • Frete (entrega ao cliente): R$ 900
  • Custo total do pedido = R$ 6.600

Agora os percentuais sobre a venda:

  • Impostos: 6%
  • Comissão: 4%
  • Despesas fixas rateadas: 15%
  • Margem de lucro desejada: 20%
  • Soma = 45% → divisor = 1 − 0,45 = 0,55

Preço de venda = R$ 6.600 ÷ 0,55 = R$ 12.000. Nesse preço, depois de pagar imposto, comissão e ratear as despesas fixas, sobram R$ 2.400 (20%) de lucro líquido real. Se você tivesse "chutado" R$ 9.900 (custo × 1,5), acharia que estava lucrando 50% — quando, na verdade, o lucro líquido seria perto de zero.

Por isso desconto sem cálculo é perigoso: dar 10% nesse conjunto não tira 10% do lucro — tira quase metade dele, porque o desconto sai inteiro da sua margem, não do custo.

5. Erros que corroem a margem

  • Esquecer a sobra de material: orçar pelo comprimento útil da peça, não pela barra consumida.
  • Não contar a própria mão de obra: o dono que "não se paga" esconde o prejuízo.
  • Terceiros soltos: pagamentos a terceiros que não voltam para o custo do pedido.
  • Tabela congelada: alumínio e componentes sobem de preço e o orçamento continua o do ano passado.
  • Desconto no escuro: negociar sem saber qual era a margem antes de ceder.

6. Como fazer isso na prática, sem planilha frágil

Dá para começar com uma planilha — mas ela quebra rápido: preço de material desatualizado, fórmula que alguém apagou, e nenhuma visão do lucro antes de enviar a proposta. É exatamente esse cálculo que o Oickos faz automaticamente: você monta o orçamento, o sistema considera materiais, mão de obra e serviços de terceiros vinculados ao pedido, e mostra o lucro real da proposta antes de você enviar ao cliente. Quando o preço do alumínio muda, você atualiza num lugar só e todos os orçamentos passam a refletir o custo novo.

Saiba o lucro de cada proposta antes de enviar

O Oickos mostra o custo real e a margem de cada pedido — sem planilha, sem achismo.

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Perguntas frequentes

Qual a margem de lucro ideal para móveis planejados?

Não existe número universal, mas fábricas saudáveis costumam trabalhar com margem líquida entre 15% e 30% sobre o preço de venda, depois de cobrir custo de produção, despesas fixas, impostos e comissões. O essencial é precificar a partir do custo real, não do achismo.

Devo usar markup ou margem?

Os dois se conectam. O markup é o multiplicador aplicado sobre o custo; a margem é o percentual de lucro sobre o preço de venda. Calcule o markup a partir de todos os percentuais (impostos, comissão, despesas fixas e a margem desejada) para garantir que o preço cubra tudo.

Por que vendo bem mas não sobra dinheiro?

Quase sempre porque o pedido foi precificado sem o custo real: sobras de perfil, componentes, horas de montagem e terceiros ficam de fora. Sem isso, você acaba dando desconto sobre uma margem que nunca existiu de verdade.